ArtesimbiÓtica

Quinta-feira, Maio 15, 2008

VOLADORAS


EL TAJÍN
.
.
O
vento,
cada rajada,

fruta que gira
em torno do galho.

Hechicero alado,
volador de Papantla,

em sua órbita de
calendário, não mais

o êxtase,

mas a fome
sacia-
da

(poema de Ana Ramiro - México DF )

Sexta-feira, Março 07, 2008

Segunda-feira, Setembro 10, 2007

ALGUÉM



Meu filtro
em voile
revela um céu
rosé,

uma máscara
sem nome,
um dilema
ambíguo:

um fora
que fende
o escuro,

um dentro
vazio.
.
(foto: Fabio/poema: Ana)

Terça-feira, Maio 15, 2007

DERVIXES


Obliterar-se,

buscar o todo
em cada grão de poeira
cósmica, repetir a órbita do

átomo, a anfimixia das
células.

Tornar-se o Verbo
rodopiante, irresistível fagulha
que retorna à fogueira.
.
O coração como eixo.


(Ana Ramiro)

Quinta-feira, Abril 26, 2007

COM FUSSÕES SEM FISÃO


Lágrimas em gotas
De estrelas
Com brilho emprestado
De velas apagadas
E piscando ao som
De folhas que caem
Flores branco e preto
Colorindo meu jardim
Pontos brilhantes
Rodeiam a bola escura
Escondida na noite
De céus amarelos
De sol
Astros miam como ventos
Aparecidos a holofotes
Não se escondem
Dos meus passos
Cala a noite
Cala frios picolés
Nada sob bolas vermelhas
Queimadas de gelo
Pegam fogo entre
A chuva vermelha de sangue
Dolorosa em verdes campos
Iluminados pela noite
De estrelas
Lágrimas em gotas


________________(Fábio Pazzini)

(Fabio Pazzini - atualizado em 26 de abril 2007)

Quinta-feira, Outubro 26, 2006

CONTATO IMEDIATO


A noite (estrelas),
sobrevoa
o objeto, elã rosa,
selvagem rosa
do céu, dos rumos,
infalível rosa,
luz projétil, elo
de longo alcance,
indefectível miragem.

(Ana Ramiro - atualizado em 26 de abril 2007)

Quinta-feira, Agosto 24, 2006

GOLE DE CACHAÇA


Como um gole de cachaça
________ ardendo na goela
Ritmos tribais agitando pedaço por pedaço
__________________do teu corpo
Fervente a lava do teu vulcão
Como loucura insaciável
____________esfregada
____________amassada
____________abraçada
__________________e beijada
Como bola de gude
____________ladeira abaixo
____________numa segunda-feira
__________________de chuva


___________________(Fábio Pazzini)

(Fabio Pazzini - atualizado em 26 de abril 2007)

Segunda-feira, Agosto 21, 2006

AYAHUASCA / ROUGE



AYAHUASCA

Entre Totomoxtle e Coatzintlali,
tombou um cacto
eletrônico

Coiotes passam
dissimulados, uivando
cóleras encouraçadas
descrevem órbitas
os olhos vidrados
do apache

Escavar rugosidades
no corpo inerte
labirintos traçados
com artifício, des-
sangrar o mártir
expor o cerne
escancarado, extrair
a víscera

a palavra
-hóstia-
ingerí-la

e ver
os vermelhos

Mas allá
de todo o sentido
de toda a forma


(Ana Ramiro)

Quinta-feira, Julho 13, 2006

ERUPÇÃO



O
toque
rarefato, primeiro
feixe sobre a retina

interiores despertos
por signos voláteis

surda infusão
perceber o branco, fragmentá-lo
em faces

sorrateiro e túrgido, um seio
um veio de ouro, um braço
corre feito cavalo insone

libélulas arfam

incongruências, gravar o magma
em imóveis andores,
lapidar os escombros

para que, altaneira,
a folha paire ilesa
e se vista de orvalho


(Ana Ramiro)

TORNEIRA


t
ris
tris
te tris
tris te tris
tris te tris tris
te tris tris te tris
tris te tris tris te
tris tris te tris
tris te
..
..
(sede)
(Ana Ramiro)

Quarta-feira, Julho 12, 2006

ORIGAMI URBANO


..
A cada vinco, mudanças
na química do asfalto
..
embotar o gris, romper
a lápide que se estende
sob o casco humano
..
céu de agapanto
..
conformar-se,
seguir a lógica da nuvem
entrevista na sala de espelhos
..
nos sulcos dos rostos
trincheiras de ausência
transeunte
..
busca obstinada, a seiva
nas saliências
..
e o papel domado se rende
ao pequeno órfão, canto
dobrado
..
celebrar a estatuária
em diminuta escala,
..
celulótico
poema


(Ana Ramiro)

ArtesimbiÓtica

Fragmentos díspares, olhares (des)conexos, reinvenção do absurdo, travestismo (dis)léxico, perturbação (ob)cena, quebrar em mil pedaços e recriar o quebra-cabeça alterando os termos, (dis)tensões, extrair ruído da imagem, escorrer a palavra do contexto, universos paralelos, autônomos e intercambiáveis. Unir para transgredir...
...

Sexta-feira, Julho 07, 2006

FABIO PAZZINI

Como eu me sinto um enrolão! Eu, que pisei neste mundo dos computadores muito antes de muita gente sonhar que poderia ter um em casa (quem aí sabe o que foi o CP-200?), que já estava em grupo de discussão quando a internet estava recém começando (naquela época se chamavam listas de e-mail) , e que conheci essa parceira aqui, Ana Maria Ramiro, através da própria internet, naqueles tempos de listas, como posso ter demorado tanto pra escrever as minhas primeiras linhas de um Blog?

Coitada da Ana, que me ouve (o certo é dizer "que me lê") dizer há tanto tempo que quero fazer um blog. Se não fosse ela me empurrar blog adentro, talvez ainda demorasse uns anos...

Sejamos benvindos!

ANA RAMIRO


Ana Ramiro nasceu em São Paulo, em 1972. Publicou o livro Menina-Poesia (Editora Blocos, 1999). Participou de antologias e tem artigos, poesias e traduções publicadas em revistas como Zunái, Critério e Jornal de Poesia. Traduziu Alejandra Pizarnik, Elizabeth Azcona, entre outros. Mantém o blog Folhas de Girapemba. Atualmente, reside em Brasília.