ArtesimbiÓtica

Quinta-feira, Julho 13, 2006

ERUPÇÃO



O
toque
rarefato, primeiro
feixe sobre a retina

interiores despertos
por signos voláteis

surda infusão
perceber o branco, fragmentá-lo
em faces

sorrateiro e túrgido, um seio
um veio de ouro, um braço
corre feito cavalo insone

libélulas arfam

incongruências, gravar o magma
em imóveis andores,
lapidar os escombros

para que, altaneira,
a folha paire ilesa
e se vista de orvalho


(Ana Ramiro)

TORNEIRA


t
ris
tris
te tris
tris te tris
tris te tris tris
te tris tris te tris
tris te tris tris te
tris tris te tris
tris te
..
..
(sede)
(Ana Ramiro)

Quarta-feira, Julho 12, 2006

ORIGAMI URBANO


..
A cada vinco, mudanças
na química do asfalto
..
embotar o gris, romper
a lápide que se estende
sob o casco humano
..
céu de agapanto
..
conformar-se,
seguir a lógica da nuvem
entrevista na sala de espelhos
..
nos sulcos dos rostos
trincheiras de ausência
transeunte
..
busca obstinada, a seiva
nas saliências
..
e o papel domado se rende
ao pequeno órfão, canto
dobrado
..
celebrar a estatuária
em diminuta escala,
..
celulótico
poema


(Ana Ramiro)

ArtesimbiÓtica

Fragmentos díspares, olhares (des)conexos, reinvenção do absurdo, travestismo (dis)léxico, perturbação (ob)cena, quebrar em mil pedaços e recriar o quebra-cabeça alterando os termos, (dis)tensões, extrair ruído da imagem, escorrer a palavra do contexto, universos paralelos, autônomos e intercambiáveis. Unir para transgredir...
...

Sexta-feira, Julho 07, 2006

FABIO PAZZINI

Como eu me sinto um enrolão! Eu, que pisei neste mundo dos computadores muito antes de muita gente sonhar que poderia ter um em casa (quem aí sabe o que foi o CP-200?), que já estava em grupo de discussão quando a internet estava recém começando (naquela época se chamavam listas de e-mail) , e que conheci essa parceira aqui, Ana Maria Ramiro, através da própria internet, naqueles tempos de listas, como posso ter demorado tanto pra escrever as minhas primeiras linhas de um Blog?

Coitada da Ana, que me ouve (o certo é dizer "que me lê") dizer há tanto tempo que quero fazer um blog. Se não fosse ela me empurrar blog adentro, talvez ainda demorasse uns anos...

Sejamos benvindos!

ANA RAMIRO


Ana Ramiro nasceu em São Paulo, em 1972. Publicou o livro Menina-Poesia (Editora Blocos, 1999). Participou de antologias e tem artigos, poesias e traduções publicadas em revistas como Zunái, Critério e Jornal de Poesia. Traduziu Alejandra Pizarnik, Elizabeth Azcona, entre outros. Mantém o blog Folhas de Girapemba. Atualmente, reside em Brasília.